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Quando o coração cria asas

Ao me deitar na cama, sinto minha mente perdendo as rédeas de minha razão e meu coração criando asas, prestes a soltar-se da prisão que o submeti. As imagens surgem como se fossem sonhos, ou seriam premonições? Se forem apenas ficção, terá sido o filme mais lindo que vi na vida. Se forem premonições, serei a pessoa mais feliz do mundo.

Gostaria de dar passos rumo a torná-los realidade, mas descobri que desaprendi a andar no caminho da paixão. Minhas pernas se negam a seguir em frente, mas minha mente não para de enviar ordens para que elas a obedeçam. Sinto medo, muito medo. Não quero seguir no que pode ser o poço ou o pote de ouro. Escolhas já as fiz, e foram todas para minha vida profissional. Por que então isso agora começa a surgir, de maneira como se tentasse me amolecer? Teria eu me tornado uma gelatina congelada, ou um cimento amolecido? As lembranças surgem como se meu passado, que uso como aprendizado, fosse apenas algo escrito, contado de maneira errada e não seja o diploma correto para que eu me forme nos desafios da vida. Minhas lágrimas surgem noite após noite, meu olhar perde-se dentro de minha mente perturbada, meu peito começa a doer, meu coração acelera demais, quando na realidade, deveria estar diminuindo seu ritmo para que eu pudesse descansar de mais um dia intenso. É nessas horas, sobre meu travesseiro, que descubro que a maior intensidade da realidade da minha vida, está em meus sonhos.

Acordado ou não,
vejo você a noite,
invadindo meus sonhos,
ganhando meu coração.
André Almeida
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Sob o luar amarelo da noite fria de primavera

No último sábado, fui a um luau na praia de Ipanema, onde fiquei bastante entediado e um pouco "perdido" pelo pessoal novo do orkontro. Não é mais a mesma coisa como era antigamente, onde todos eram muito unidos e ficavam sempre "no mesmo barco": "tá sem bebida? bora comprar pra você!" Notei que ali não ocorria isso e por isso, fiquei apenas junto dos meus verdadeiros amigos que ali estavam: Anderson e Lanito.

Os momentos altos da noite foi um lanche que fizemos na pizzaria Domino's, as várias compras feitas no mercado Zona Sul e o belíssimo luar que nos recebeu quando chegamos na praia de Ipanema: a lua estava incrivelmente amarela e banhava aquela praia linda com sua pouca luz. Poucas vezes a tinha visto tão interessante.

Aquela beleza me fez pensar várias vezes, enquanto permanecia deitado na minha canga, nos momentos felizes que tive na vida e no quanto eu ainda posso ser feliz. Os amigos eu já os tenho e eles me completam, mas a pessoa que falta, ainda não encontrei. Sei que uma hora será sempre duas pessoas vivendo para si e nesses momentos, quem não tem ainda um companheiro, sobra. Eu não tenho medo e nem ligo pra essas coisas, mas confesso que um luar daqueles acompanhado de quem amamos, seria muito mais belo e mágico. Quem sabe um dia, eu tenha novamente essa oportunidade? Tenho quase certeza que terei.

Sob a lua amarela,

me banhei com o luar.

Parecia uma aquarela,

que tinha acabado de pintar.

André Almeida

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50 dias

Incrível como as coisas mudam né: 50 dias sem postar e nesse tempo pra cá, consegui um emprego novo, vários amigos novos e descobri um novo continente do mundo chamado Narak Slater.
Pois é, a cada dia que passa, sinto que ao invés de ser o capitão do meu barco, sou na verdade, um marinheiro perdido em um oceano. E quem seria esse oceano? Eu mesmo. A primeira pessoa, no meu caso, pode ser usada como segunda ou terceira, no singular ou no plural: não importa o que eu diga a meu respeito, a cada dia que passa, meu auto-conhecimento aumenta e é aí que vejo o quanto falta pra eu me conhecer por completo; se é que isso é possível.
Nessa nova vida, não sinto falta alguma dos tempos que eu passava o dia todo online ou em casa, pensando na vida, imaginando coisas, sonhando acordado. Hoje, eu vivo a vida e aprendi que se eu quero algum dia realizar meus sonhos, não será sentado que conseguirei. Cansar? Nem um pouco. Meu emocional está muito bem, por isso que a fadiga passa longe de mim: quando estamos com pessoas que gostamos, nada é páreo com elas. 
Nesses 50 dias sem postar, apenas uma coisa se manteve igual: minha parte sentimental. Mas é aquele tal negócio, sonhar eu sonho, pois não tenho medo e nem pago imposto para tal; mas após muitos sonhos que tentei realizar pagando qualquer preço, percebi que é muito mais saudável e gostoso, sonhar vivendo, do que sonhar parado. O dia que tiver que acontecer, acontecerá. Até lá é viver a vida.
Nosso potencial está em nosso cérebro,
nossa mente é pura razão,
nossa razão é o nosso ser,
nosso ser é coração.
André Almeida
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Sinto-me completo

No último post eu tinha dito que sentia que algo faltava na minha vida, que sempre tinha aquela sensação de vazio. Pois bem, o tempo passou, e a sensação também. Mas foi assim, de repente? Não, isso vem acontecendo há algum tempo, mas o grande responsável por isso foi meu aniversário: estar rodeado das pessoas que mais amo na vida, me fez ver o quanto sou completo, graças a elas todas.

Lógico que no post anterior, eu me referia mais especificamente a um relacionamento, mas hoje vejo que isso não deve ser encarado como um "espaço a ser preenchido" e sim como um "aperta o pessoal aí no coração, pra entrar mais uma pessoa especial". A idéia de que falta algo pode ser verídica, mas nos deixa cabisbaixos e tristes, e em hipótese alguma eu tenho do que reclamar: tenho pais perfeitos e amigos que nenhuma outra pessoa no mundo tem igual.

Dançar, beber, beijar, gritar... tudo isso eu fiz no meu aniversário. Estava num estado de felicidade que só cresce a cada dia. E minha promessa de que as tragédias do meu aniversário de 2008 seriam enterradas no dia da minha festa, foi cumprida. Agora sou uma pessoa completa, não porque encontrei o amor da minha vida (que se Deus quiser, encontrarei um dia), mas porque os amores da minha vida, são meus amigos, pessoas que quero terao meu lado, pelo resto da minha vida.
Antes eu pensava estar numa ilha deserta em meio a imensidão do oceano;
hoje vejo que eu sou a ilha e vocês são o meu oceano.
André Almeida
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Falta-me algo

Um novo ano começou e cá estou eu, com a mesma sensação de que algo está faltando. Sinto desejo, atração por algo novo, na verdade nem precisa ser novo, basta apenas me surpreender. Definir o que é? Algo impossível, pois está lá no fundo do meu íntimo, lugar onde eu não me atrevo a colocar a mão pra cutucar: vespeiro.

Tenho amigos perfeitos, tenho pais dedicados, tenho uma família que vale ouro e mesmo assim me falta algo... o que seria? Um amor? Não sei ao certo se essa seria a resposta, mas se for, estou numa enrascada. Amar quem? Não vejo algo que me atraia nas pessoas, é como se elas estivessem todas de uniforme e não existisse uma com um traje diferente. Sempre as mesmas propostas, sempre a mesma finalidade: sexo. Sexo por sexo, profissionais devem ser os melhores, não? Sei lá, tudo teoria, mas de concreto, apenas a sensação do "falta-me algo".

Mais uma vez, várias perguntas e poucas respostas. Na verdade, acho que é ao contrário: várias respostas e poucas perguntas. Estou muito equilibrado, muito "controlado" e o bom da vida, é quando algo nos faz perder o controle, pelo fato de ser surpreendente, e acima de tudo: único.
Tenho um coração,
dois olhos.

Quero sentir mais,

enxergar menos.

André Almeida
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Tempo confuso, sentimentos claros

Doenças e mais doenças... assim que minhas duas últimas semanas têm sido: passei 7 dias derrubado com dor na garganta e febre de 40 graus, depois melhorei, mas em seguida, tive uma crise de sinusite bem forte, da qual estou me recuperando.

Pode parecer maluquice de minha parte, mas tudo isso foi causado pelo tempo maluco e instável que tem feito sobre a cidade do Rio de Janeiro. Se lá em cima tudo parece bem confuso, aqui embaixo está tudo muito tranqüilo: estou de bem com a vida, preparado para enfrentar qualquer obstáculo que possa aparecer pela frente. Por que estou assim? Pela força que tenho recebido dos meus amigos e meus pais, a cada dia que passa, percebo o quanto eles são fundamentais. Pra completar, eu criei coragem e voltei a falar com a Janaina, gosto tanto dela, é a pessoa que mais me dou bem e mal na vida: somos muito parecidos, incrível. Essa sem dúvidas, sempre ocupará o posto de "best friend" mesmo se estivermos há uma galáxia de distância.

Minha adolescência tem voltado a ficar frente a frente comigo e hoje vejo o quanto as pessoas que me julgaram naquela época, eram infelizes e me invejavam: sim, nunca tive vergonha de demonstrar o que sou. É legal vermos que o caminho cheio de pedras que percorremos no passado, serviu para nos tornar alguém mais maduro e completo, sem modificiar o principal: nossa essência.Nosso passado não é uma sombra do que somos,
é um indício do que seremos.
André Almeida
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Cultivando a vida

Na sua horta está chovendo? Teoricamente falando, chove na de todo mundo. O cultivo só tem bons resultados, quando a pessoa não deixa chover demais, nem esquece de molhar a horta. Tudo é uma questão de prática e manutenção: assim é a vida.

Por que as pessoas ficam tão desesperadas atrás de uma cara metade? Quem é a pessoa certa? Como descobrir se é, de fato, a pessoa ideal? Perguntas que todos fazem, mas ninguém responde. Por que? Porque a vida não segue um manual, ela é vivida na prática. Não estamos numa faculdade, onde decorando uma centena de teorias, ganhamos um diploma. Temos que ir pra chuva, pro sol, granizo, seja o que for, mas não podemos ficar parados.

Após as experiências vividas, deixamos o passado na memória e extraímos o aprendizado, para que possamos amadurecer. Curioso que mesmo após todo esse ciclo, nos vemos novamente atrás da pessoa ideal, coisa que fizemos lá no começo. Não tem jeito: isso é um ciclo, onde o fim, é quando o coração diz "é essa a pessoa" e aí todas as nossas perguntas, ganham resposta. Isso é o amor.Regue sem exagerar,
nunca deixe de molhar.
Viva se medo de sonhar,
sonhe sem medo de amar.
André Almeida
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Narak fragilizado

Tive um fim de semana ótimo: me diverti com meus amigos, passei o domingo sozinho, me senti dono da minha própria casa - cozinhando, cuidando das coisas. Meus dias têm sido maravilhosos, não posso reclamar de nada. Mas mesmo assim, sinto-me incompleto. Ando me questionando até onde sou uma boa pessoa, até onde sou capaz de fazer as pessoas ao meu redor felizes, até onde posso ir.

Quando fico dominado pelos sentimentos, me torno uma pessoa insegura. Na verdade, insegurança é algo que sempre anda ao meu lado, mesmo eu não demonstrando. Mas quando me deixo dominar por meu coração, é como se eu me livrasse do Narak e deixasse o André nu e cru, sem armadura, vulnerável para a vida.

O meu passado é algo duro, seco, insosso. Nele eu aprendi, da pior maneira, como podemos nos ferir. Graças a ele eu amadureci, mas ainda não me livrei dos traumas. Hoje, sinto medo de me entregar por completo, até eu ter a certeza, de que a pessoa gosta de mim pelo o que sou, e não pelo o que demonstro ser. Triste é não ter a certeza de que se eu me livrasse do Narak, o André iria agradar tanto quanto agrado atualmente. Pois no passado, ele sempre viveu sozinho e infeliz.

A única certeza que tenho hoje é saber que o André ganha, a cada dia, mais força e vontade de se livrar do Narak, mesmo sabendo que estaria vulnerável e deixando-se, por inteiro, nas mãos de outra pessoa. Mas meu coração diz que eu posso confiar e me entregar, de corpo e alma.
A armadura que eu criei,
me protegeu de muitos perigos.
Hoje, ela me ataca,
deixando meus sentimentos perdidos.
Quero livrar-me do Narak, mesmo podendo ser ferido.
Pois quero me entregar,
e viver intensamente, contigo.
André Almeida
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Ficando para trás

É impressionante como nossos sentimentos são que nem a maré: mudam de um dia para o outro, variando da normalidade para um maremoto com grande facilidade. É assim que eu sou, e hoje, estou em um maremoto: meu coração está frágil, despedaçado.

É tão bom sonhar, viver no mundo da fantasia. Mas as vezes abrimos os olhos e enxergamos a realidade: nua e crua, estampada em nossas caras. Foi quando percebi realmente o que represento na vida de muitos, que até então, eu achava serem meus amigos. Antes disso, vamos decifrar a palavra amigo, segundo meu modo de pensar: são pessoas que estão presentes nos bons e maus momentos, que até dão a vida por você e nunca te abandonam, não importa o que acontecer. Pois bem, descobri que quem eu achava ser meu amigo, na verdade me usa como passatempo: e não falo de uma pessoa só não, falo de quatro, cinco, seis...

E hoje percebo o que sou para muitos: aquele menino que é capaz de fazer qualquer um rir, serve como um bom passatempo, mas depois, torna-se dispensável. Alguns podem se indignar ao lerem isso, mas é a verdade. E não sabem o quanto isso me entristece, pois eu daria a vida, por todas essas pessoas. Minha vida vale pouco? Não, eles que valem muito pra mim.
Não sei ao certo como viver,
mas sei como morrer.

Não sei o quanto fui amado,

mas tenho certeza do quanto amei.

André Almeida
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Perdido no mar

Que fim de semana mais estranho é esse? Orkontro parado, luau sem música, domingo morto e mesmo assim estou feliz. Mas uma felicidade diferente: hoje surgiu uma vontade de sumir do planeta.

Minha vida voltou a ser um turbilhão de emoções, mas agora tenho controle sobre a situação. Sei exatamente o que farei, o que pode acontecer e o que pode não acontecer. Tenho noção do meu espaço físico e emocional dentro de cada um dos que me rodeiam, mas mesmo assim sei que estou vulnerável a surpresas.

No luau, quando estava próximo a amanhecer, resolvi olhar o mar, solitariamente, e as lembranças vieram: minha infância, minha família, minha inocência. Que saudades daqueles tempos, que sei que nunca mais voltarão. E para minha surpresa, um garoto surgiu em meio a tudo isso, me olhou de uma maneira única e diferente e perguntou se eu estava triste. Neguei, e disse a verdade: nem sempre nostalgia significa tristeza. Ele disse que não queria me ver triste, e perguntou meu signo. Ao saber que sou pisciano me definiu naquele momento: percebo que você quer ficar sozinho, respeito muito isso em peixes. E desapareceu feito um anjo.

Mexeu comigo, o fato de um estranho ser tão carinhoso comigo. Em meio a tantas demonstrações de amizade e afeto, essa me surpreendeu, pela pureza do olhar. Mas sei que ficará ali enterrado junto com as lembranças da minha infância. Aquele simples olhar,
aquela simples fala,

aquele simples momento,
nunca mais acontecerá,
mas pra sempre, existirá.

André Almeida
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